sexta-feira, 22 de maio de 2009

Estariam os testes de demência ultrapassados?

idoso e teste psicologico

Muitos dos testes psicológicos utilizados para identificar quais os idosos apresentam risco de desenvolver demência parecem não funcionar mais, sugere um novo estudo conduzido na Universidade de Gothenburg, Suécia. 

A tese de doutorado mostra que a perda de memória é o único fator que pode ser utilizado para indicar quem tem o risco, embora não entre os muito idosos. 

O estudo comparou idosos não-dementes de 70 anos examinados no início da década de 1970 com idosos não dementes examinados no ano de 2000. Os resultados mostram que aqueles que foram examinados mais recentemente atingiram escores muito mais altos nos testes psicológicos que aqueles examinados anteriormente. 

Desta forma, tais testes não podem mais ser utilizados com o propósito de predizer um possível desenvolvimento de demência. 

Na década de 1970, vários testes diferentes foram utilizados para prever o risco de desenvolvimento de demência, mas atualmente parece que a avaliação da memória é o único teste válido. Além disso, se torna mais difícil prever a demência a medida em que a escolaridade aumenta, diz o autor do estudo. 

O acompanhamento dos idosos mostrou que, após cinco anos, 5% desenvolveu demência. 

Aqueles com problemas de memória demonstraram um risco maior de desenvolvimento de demência, embora nem todos com memória ruim tenham desenvolvido demência. 

Assim, a ligação entre esquecimento e demência futura é mais complexa do que se pensa usualmente. A perda de memória em idosos pode, mas não de forma determinante, ser um primeiro sinal. 

Exames conduzidos em um grupo de idosos não-dementes de 85 anos mostraram que a ligação entre problemas de memória e demência não é tão clara em idosos nesta idade mais avançada. A habilidade destes em achar palavras, copiar figuras geométricas e tomar decisões rápidas foram qualidades avaliadas nestes exames psicológicos. 

Mais de 300 indivíduos participaram do estudo, dos quais 17% desenvolveram demência após três anos. 

"Não podemos dizer que a perda de memória é o único sinal significativo de uma futura demência entre idosos de 85 anos, uma vez que outros sintomas, como dificuldades de achar palavras ou desenhar figuras geométricas, foram relacionadas ao aumento do risco de desenvolvimento de demência", diz o organizador da pesquisa. 


Traduzido e adaptado por Felipe Coura

0 comentários: