Obesidade e Saúde Mental
A população mundial está se tornando mais fofinha e a cada ano a situação se agrava. A OMS - Organização Mundial de Saúde - acredita que estamos à beira de uma epidemia global e se estima que em 2020 a obesidade será a principal causa das mortes no planeta.
Atualmente, pelo menos 300 milhões de adultos em todo o mundo estão obesos - com índice de massa corporal (IMC) maior que 30 - e mais de um bilhão estão com sobrepeso (IMC > 24,9, segundo o Ministério da Saúde). O problema afeta todas as idades e grupos socioeconômicos.
Para calcular o IMC, basta pegar seu peso em quilos e dividi-lo duas vezes pela sua altura em metros. Por exemplo, para uma pessoa de 1,70 metros de altura e 55 quilos temos: 55/1,7 = 32,4 => 32,4/1,7 = 19, que é o IMC deste indivíduo.
As taxas de obesidade pelo menos triplicaram desde 1980 em algumas regiões dos Estados Unidos, Reino Unido, Europa Oriental, Oriente Médio, Ilhas do Pacífico, Austrália e china. Em muitos países em desenvolvimento, como no caso do Brasil, a obesidade coexiste com a desnutrição. O aumento do consumo de alimentos industrializados associado com a diminuição radical de atividades físicas tem contribuido para o aumento do problema.
A Evolução da Obesidade no Brasil
Variáveis | 2006 | 2007 | 2008 |
% | % | % | |
Obesidade (total) | 11,4 | 12,9 | 13,0 |
Excesso de peso (total) | 43,0 | 43,4 | 43,3 |
Um problema particularmente preocupante é o aumento da taxa de obesidade nas crianças. Os governos de todo o mundo começam agora a estimar as taxas em seus países. O governo chinês calcuma que uma em cada dez crianças está obesa no ambiente urbano. No Japão, a obesidade triplicou entre as crianças de nove anos de idade.
Por que isto está acontecendo?
Como já foi dito acima, a obesidade é um resultado nas mudanças dietéticas e no nível de atividade física.
O mundo em desenvolvimento está mais propenso ao problema da obesidade. Por exemplo, estima-se que o número de pessoas com diabetes causada por obesidade deverá dobrar para 300 milhões entre 1998 e 2025, com 3 a cada 4 dessas pessoas no mundo em desenvolvimento.
Quais os problemas ligados à obesidade?
Comparado aos adultos com peso normal, aqueles com IMC maior que 30 estão mais propensos a doenças cardíacas, hipertensão, derrames, colesterol alto, dota, osteoartrite, problemas de sono, asma, problemas de pele e alguns tipos de câncer.
Em junho de 1998, a American Heart Association elevou a obesidade a "fator de alto risco" para doenças cardíacas. Obesidade também é um importante fator causal no diabetes tipo 2, também dificultando o tratamento da mesma.
Problemas psicológicos que podem ser disparados pela obesidade incluem depressão, distúrbios alimentares, distúrbios da imagem corporal e baixa auto-estima.
Já foi verificado em inúmeros estudos que pessoas obesas tem taxas de depressão mais alta. Em um estudo na Universidade de Wisconsin-Madison conduzido por David Kats, por exemplo, foi avaliada a qualidade de vida de 2931 pacientes com problemas crônicos de saúde, incluindo obesidade. Os achados apontaram para uma maior taxa de depressão nos pacientes muito obesos (IMC>35).
Outros pesquisadores também identificaram um aumento nos sintomas depressivos em pessoas muito obesas. Um estudo da Swedish Obese Subjects (SOS) indicou que a depressão clinicamente significativa é de três a quatro vezes maior em indivíduos com obesidade mórbida, quando comparados com os indivíduos semelhantes não obesos. Os escores de depressão de pessoas obesas são iguais ou piores que aqueles de pacientes com dor crônica.
Em um outro estudo conduzido por Robert Roberts, da Universidade do Texas, chegou-se à conclusão de que levando em conta fatores como a classe social, suporte social, problemas médicos crônicos e eventos estressores, a obesidade em um determinado momento da vida estava associada a um aumento do risco de depressão após cinco anos. O inverso não se confirmou: depressão não aumentou o risco de obesidade futura.
Alguns dados indicam que os "ataques de fome" podem explicar, pelo menos em parte, a relação observada entre obesidade e depressão. Isto porque estes "ataques" podem contribuir para o aumento de peso e obesidade, os quais, por sua vez, afetam negativamente o humor. Além do mais, "ataques" recorrentes são extremamente desagradáveis para quem os experimenta e podem levar o indivíduo a um risco maior de depressão clínica.
E qual o impacto na Saúde Pública?
Tanto os custos médicos diretos e indiretos da obesidade tendem a se tornar um grande ônus para os sistemas de Saúde Pública pelo mundo.
Para se ter uma idéia, um estudo de 1998 mostrou que as despesas médicas atribuídas tanto ao sobrepeso quanto a obesidade foram responsáveis por 9,1% do total da conta de 78,5 bilhões de dólares de despesas médicas nos EUA.
A OMS tem uma estimativa conservadora de que, em todo o mundo, o custo econômico da obesidade está na faixa de dois a sete porcento do total das despesas médicas.
O que está sendo feito?
Apesar do aumento desenfreado dos índices de obesidade, poucas políticas efetivas de controle de obesidade estão sendo postas em prática.
A OMS começou com os alertas na década de 1990, afirmando que a obesidade é predominantemente uma doença social e ambiental. Ela recomendou uma série de estratégias de longro prazo para grupos com risco de obesidade, com foco em dietas saudáveis e exercícios regulares.
Na prática, as abordagens variam muito de país para país. Com freqüência, a obesidade não é vista como uma condição médica importante, tendendo a ser tratada somente quando uma outra doença se desenvolve.
Os experts acreditam que a abordagem mais eficaz para a redução de peso é uma dieta com foco na redução da ingesta calórica. Alguns pacientes de alto-risco são medicados com redutores de pesso, mas essa conduta não pode ser mantida por um longo tempo, devido aos efeitos colaterais como aumento da pressão sanguinea, ansiedade e inquietação. Novas drogas estão sendo desenvolvidas em busca de menores efeitos colaterais.
A opção cirúrgica inclui, entre outros, a gastroplastia, o bypass e lipoaspiração. Mas driblar a obesidade significa obrigatoriamente mudança no estilo de vida do cliente, com a adoção de uma dieta mais adequada e uma maior prática de exercícios físicos. Muitos esforços são direcionados a crianças em idade escolar, buscando a adoção desde a infância de hábitos de vida mais saudáveis.
Por envolver questões relacionadas à saúde mental e mudança no estilo de vida, o acompanhamento psicológico auxilia no processo de emagrecimento aumentando as chances de que o indivíduo seja capaz de atingir - e manter - seu compromisso com a balança e consigo mesmo.
Adaptado de Obesity and Mental Health
Tradução: Felipe Coura


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