domingo, 18 de outubro de 2009

Quando a habilidade com o dinheiro diminui, considere Alzheimer

Novas pesquisas sugerem que, quando o pai ou a mãe começam a ter problemas com dinheiro, pode ser a hora de procurar ajuda.

A incapacidade de realizar operações financeiras ou manusear dinheiro pode ser um indicador precoce de que uma pessoa com problemas leves de memória poderá em breve desenvolver a doença de Alzheimer (DA), dizem os pesquisadores da Universidade de Alabama em Birmingham.

Os pesquisadores estudaram oitenta e sete pessoas com déficit cognitivo leve e um grupo controle de oitenta e seis pessoas sem problemas de memória. A habilidade dos participantes de administrar questões financeiras foi avaliada no começo do estudo e novamente um ano depois, usando uma ferramenta chamada Financial Capacity Instrument (FCI).

As habilidades incluiam a compreensão do saldo bancário, controle de caixa, pagamento de contas e a contagem de dinheiro.

Durante o período de um ano, vinte e cinco (29%) dos pacientes com déficit cognitivo evoluiram para DA. O escore geral destes vinte e cinco participantes diminuiu 6%.

O grupo controle e os demais pacientes que não evoluiram para demência mantiveram o nível do FCI ao longo do estudo.

"O declínio da habilidade financeira são detectáveis em pacientes com déficit cognitivo leve no ano anterior à evolução para DA", afirma o Daniel Marson, professor de neurologia e diretor do UAB Alzheimer´s Disease Center. "Isto indica que os médicos e demais profissionais de saúde precisam observar atentamente os pacientes nesta condição e aconselhar as famílias e cuidadores a tomar cuidados especiais para evitar situações perigosas".

O pesquisador sugere que os cuidadores acompanhem a movimentação bancária, contactem o banco para detectar irregularidades como contas pagas em duplicidade ou se tornem corresponsáveis pelas movimentações, de forma que a assinatura de ambos seja necessária para transações acima de certos valores. A realização de transações através de homebanking também é uma boa opção.

"A capacidade de administrar a própria vida financeira é fundamental para o sucesso da vida independente. Problemas com a habilidade financeira são frequentemente a primeira alteração funcional demonstrada por pacientes com demência leve", conclui o pesquisador.


Traduzido por Felipe Coura

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Terapia é tão eficaz quanto droga na depressão infantil, diz estudo

CLÁUDIA COLLUCCI
da Folha de S.Paulo

A terapia comportamental é tão eficaz quanto o uso de remédio no tratamento da depressão de crianças e adolescentes. A associação das duas técnicas, contudo, traz resultados mais rápidos e com menos chances de recaídas.

A conclusão é de um estudo recente realizado a partir de um levantamento financiado pelo Instituto de Saúde Mental dos Estados Unidos, com 439 crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos. O trabalho foi publicado no "Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry".

A taxa de depressão infantojuvenil vem crescendo em todo o mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Na faixa etária entre seis e 16 anos, por exemplo, ela passou de 4,5% para 8% na última década. A violência urbana, o excesso de atividades na agenda diária e a falta de espaço para o lazer são apontados como os principais fatores.

O trabalho envolveu 13 instituições norte-americanas e testou, isoladamente, três tipos de tratamento: terapia cognitivo-comportamental, antidepressivo (fluoxetina) e a associação de ambos. Ao final de 36 semanas, a taxa de eficácia dos três foi parecida: em torno de 60%.

Até a 18ª semana de tratamento, porém, a combinação de terapia comportamental e de remédio foi melhor do que a chamada monoterapia. As taxas de remissão (ausência de sintomas da depressão) foram de 56% (tratamento combinado) contra 37% (remédio) e 27% (terapia).

Tratamento combinado

Para o médico John March, professor de psiquiatria do Centro Médico da Universidade Duke e coordenador do estudo, se a depressão na criança for de moderada a severa, a recomendação é que o tratamento seja combinado. Se for leve, há indicação de terapia comportamental -e de acrescentar antidepressivo se não houver resposta rápida.

"A terapia comportamental é muito boa, mas o tratamento combinado traz resultados muito melhores, mais rápidos e mais duradouros do que somente a terapia ou a fluoxetina. A associação de tratamentos também elimina o risco de suicídio associado à medicação [fluoxetina]", explicou à Folha.

A psiquiatra Betsy Kennard, da Universidade do Texas, que também participou do estudo, observa que, com a monoterapia, há uma demora de dois a três meses para surtirem os resultados, em relação ao tratamento combinado.

"As crianças que recebem apenas remédio ou apenas terapia comportamental chegarão ao mesmo ponto em 36 meses [em relação àquelas que usam terapia combinada]. Mas, como pai ou mãe, você não vai querer ver seu filho sofrendo por tanto tempo."

Recaídas

O psiquiatra infantil Fábio Barbirato, professor da Santa Casa do Rio de Janeiro, acrescenta que a terapia associada à medicação traz menos chances de recaída. "A depressão costuma ser flutuante: há uma melhora, uma piora. As crianças que tomam o remédio e fazem terapia têm menos recaídas em relação às outras."

Para Barbirato, a mensagem do estudo é que os médicos não devem desistir de tratar crianças e adolescentes deprimidos. "Muitos acabam sendo expostos a um tratamento ineficaz e que traz riscos à sua saúde por conta de diagnósticos errados, baseados em mitos."

Vários estudos têm demonstrado que crianças com sintomas depressivos não tratados possuem mais chances de cometer suicídio, de se tornarem dependente de drogas ou de manter a doença na idade adulta. "Não tem essa conversa de que as coisas vão melhorar com o tempo. Sem tratamento, quem sofre é a criança."

O psiquiatra acredita que a polêmica que ainda existe em torno do uso de antidepressivo em crianças "é coisa de profissional que não está bem atualizado e que vai contra tudo o que existe de mais atual".

Barbirato diz que já atendeu um garoto de sete anos de idade que havia tentado duas vezes o suicídio. "Ele já tinha passado por várias terapias inúteis. Depois de dois anos com terapia comportamental e remédio, ele teve alta. Está sem remédio, nunca mais recaiu."

Na avaliação do psiquiatra Eurípedes Miguel, professor titular do departamento de psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo), a grande importância do estudo foi ter demonstrado que a manutenção do tratamento a longo prazo é fundamental para os adolescentes conseguirem a remissão dos sintomas da depressão.



depressão infantil

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A Doença de Alzheimer

cerebro con alzheimer

Embora existam vários tipos de demência, a mais comum e mais divulgada na mídia é aquela conhecida como a Doença de Alzheimer. 

A doença de Alzheimer (DA) é uma doença neurodegenerativa progressiva, ou seja, que afeta o sistema nervoso e não tem cura. A idade é o fator de risco mais importante para o desenvolvimento da DA. O número de pessoas com a doença dobra a cada 5 anos a partir dos 65 anos de idade. Três genes foram descobertos como relacionados à DA hereditária. Outras mutações genéticas estão associadas à DA relacionada à idade. 

Os sintomas da Doença de Alzheimer incluem perda de memória, pobreza de linguagem, dificuldade de manipular informação visual, falta de juízo, confusão, inquietação e alterações de humor. Eventualmente, a DA destrói a cognição, a personalidade e a habilidade de executar as tarefas mais básicas, como fazer as necessidades fisiológicas e até mesmo engolir a comida. É como se o indivíduo fosse fazendo o caminho neurológico inverso em direção ao nascimento. 

Os sintomas iniciais da DA, os quais incluem esquecimento e perda de concentração, geralmente não são percebidos porque se assemelham a sinais naturais de envelhecimento. Além disso, é muito comum no início da DA que a pessoa desenvolva depressão. 

Caso você perceba em alguma pessoa de mais idade uma tristeza súbita sem motivo, "comportamento estranho" ou dificuldades de memória, procure um geriatra, um psicólogo ou um bom clínico geral para a realização do diagnóstico. Embora não seja possível reverter a doença, o diagnóstico precoce permite a melhoria da qualidade de vida tanto da pessoa com a DA quanto dos cuidadores, muitas vezes pessoas da própria família do idoso. 

Como "comportamento estranho" é algo muito vago, seguem alguns exemplos dentre inúmeros possíveis:
- uma pessoa antes muito controlada com o dinheiro que passa a gastar sem limites;
- o remédio passa a acabar mais depressa, porque a pessoa o toma com uma frequência maior; 
- uma cozinheira de mão cheia para de cozinhar ou começa cozinhar trocando/faltando ingredientes;
- uma pessoa antes organizada que passa a guardar as coisas em lugares estranhos (ex: dinheiro no forno);
- uma pessoa antes pontual que passa a faltar a compromissos. 


Traduzido e adaptado por Felipe Coura

Estariam os testes de demência ultrapassados?

idoso e teste psicologico

Muitos dos testes psicológicos utilizados para identificar quais os idosos apresentam risco de desenvolver demência parecem não funcionar mais, sugere um novo estudo conduzido na Universidade de Gothenburg, Suécia. 

A tese de doutorado mostra que a perda de memória é o único fator que pode ser utilizado para indicar quem tem o risco, embora não entre os muito idosos. 

O estudo comparou idosos não-dementes de 70 anos examinados no início da década de 1970 com idosos não dementes examinados no ano de 2000. Os resultados mostram que aqueles que foram examinados mais recentemente atingiram escores muito mais altos nos testes psicológicos que aqueles examinados anteriormente. 

Desta forma, tais testes não podem mais ser utilizados com o propósito de predizer um possível desenvolvimento de demência. 

Na década de 1970, vários testes diferentes foram utilizados para prever o risco de desenvolvimento de demência, mas atualmente parece que a avaliação da memória é o único teste válido. Além disso, se torna mais difícil prever a demência a medida em que a escolaridade aumenta, diz o autor do estudo. 

O acompanhamento dos idosos mostrou que, após cinco anos, 5% desenvolveu demência. 

Aqueles com problemas de memória demonstraram um risco maior de desenvolvimento de demência, embora nem todos com memória ruim tenham desenvolvido demência. 

Assim, a ligação entre esquecimento e demência futura é mais complexa do que se pensa usualmente. A perda de memória em idosos pode, mas não de forma determinante, ser um primeiro sinal. 

Exames conduzidos em um grupo de idosos não-dementes de 85 anos mostraram que a ligação entre problemas de memória e demência não é tão clara em idosos nesta idade mais avançada. A habilidade destes em achar palavras, copiar figuras geométricas e tomar decisões rápidas foram qualidades avaliadas nestes exames psicológicos. 

Mais de 300 indivíduos participaram do estudo, dos quais 17% desenvolveram demência após três anos. 

"Não podemos dizer que a perda de memória é o único sinal significativo de uma futura demência entre idosos de 85 anos, uma vez que outros sintomas, como dificuldades de achar palavras ou desenhar figuras geométricas, foram relacionadas ao aumento do risco de desenvolvimento de demência", diz o organizador da pesquisa. 


Traduzido e adaptado por Felipe Coura